| O crescente consumo de drogas (e suas terríveis conseqüências) tornou-se um dos problemas mais graves da nossa civilização contemporânea. A cada dia que passa, aumenta assustadoramente o número de pessoas que delas se tornam dependentes e que são por elas lentamente destruídas. A palavra "drogas" desencadeia uma infinidade de associações, além de englobar uma enorme classe de produtos capazes de alterar o estado de consciência e de provocar dependência física e psíquica naqueles que dela se utilizam. Muitos são os fatores que levam à dependência, fatores culturais onde o indivíduo é valorizado pelo que tem e não pelo que é, pois vivemos numa cultura capitalista, consumista, onde o "descartável" se faz presente. No dia a dia, tudo se torna descartável: as relações, os compromissos, há uma ausência de responsabilidades. O caráter está deteriorado. E aí vem a responsabilidade da grande formadora ou deformadora das personalidades: a família. Certos valores são desenvolvidos na família e, se isso não acontecer, ficará o vazio daquilo que não foi desenvolvido (vazio que poderá ser preenchido com a droga). Sabemos o valor do carinho e do afeto para o desenvolvimento de uma personalidade saudável, integrada. Mas o valor do "não", dos limites tem a mesma importância do afeto. Quando os pais não têm com os filhos uma relação afetiva adequada, onde falta a presença, não só física, mas de entrega para esta relação sagrada e essencial, onde o filho não se sente amado de forma incondicional, sendo do jeito que é, compromete-se o desenvolvimento da auto-estima. Sem a auto-estima haverá um indivíduo inseguro, muitas vezes complexado (se diz tímido), que pode precisar de uma substância que lhe dê uma certa "coragem", segurança, bom humor, etc. Este é o dependente em potencial. Então acredito que na família que está a possibilidade de se desenvolver uma personalidade sadia, integrada onde as pessoas consigam se compreender e se aceitar com suas capacidades e limitações, sem precisar de nenhuma substância que lhe altere o humor, que lhe dê uma falsa coragem e segurança, que se auto afirmem naquilo que são. |
É sempre importante aprender a conjugar sentimentos em tempos e modos adequados, usando os pronomes próprios e não aqueles que somos obrigados a racionalizar pela inclusão em um certo meio, que passa ser um terço do que realmente não se quer ser, e assim acaba somando as divisões internas do conteúdo pessoal impostas por alguém que não se conheçe. O outro... Conhecer-se não é somente deixar que outros indiquem o caminho, é encontrá-lo como fazemos em um espelho! MICHEL BARABANI
quarta-feira, 11 de abril de 2012
A DEPENDÊNCIA COMEÇA NO BERÇO
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