quarta-feira, 11 de abril de 2012

A DEPENDÊNCIA COMEÇA NO BERÇO


O crescente consumo de drogas (e suas terríveis conseqüências) tornou-se um dos problemas mais graves da nossa civilização contemporânea. A cada dia que passa, aumenta assustadoramente o número de pessoas que delas se tornam dependentes e que são por elas lentamente destruídas.

A palavra "drogas" desencadeia uma infinidade de associações, além de englobar uma enorme classe de produtos capazes de alterar o estado de consciência e de provocar dependência física e psíquica naqueles que dela se utilizam.

Muitos são os fatores que levam à dependência, fatores culturais onde o indivíduo é valorizado pelo que tem e não pelo que é, pois vivemos numa cultura capitalista, consumista, onde o "descartável" se faz presente. No dia a dia, tudo se torna descartável: as relações, os compromissos, há uma ausência de responsabilidades. O caráter está deteriorado. E aí vem a responsabilidade da grande formadora ou deformadora das personalidades: a família.

Certos valores são desenvolvidos na família e, se isso não acontecer, ficará o vazio daquilo que não foi desenvolvido (vazio que poderá ser preenchido com a droga).

Sabemos o valor do carinho e do afeto para o desenvolvimento de uma personalidade saudável, integrada. Mas o valor do "não", dos limites tem a mesma importância do afeto. Quando os pais não têm com os filhos uma relação afetiva adequada, onde falta a presença, não só física, mas de entrega para esta relação sagrada e essencial, onde o filho não se sente amado de forma incondicional, sendo do jeito que é, compromete-se o desenvolvimento da auto-estima. Sem a auto-estima haverá um indivíduo inseguro, muitas vezes complexado (se diz tímido), que pode precisar de uma substância que lhe dê uma certa "coragem", segurança, bom humor, etc.

Este é o dependente em potencial. Então acredito que na família que está a possibilidade de se desenvolver uma personalidade sadia, integrada onde as pessoas consigam se compreender e se aceitar com suas capacidades e limitações, sem precisar de nenhuma substância que lhe altere o humor, que lhe dê uma falsa coragem e segurança, que se auto afirmem naquilo que são.

sábado, 16 de abril de 2011

ANSIEDADE GENERALIZADA


Você sofre de uma “ansiedade generalizada”?

O que é ansiedade?
A ansiedade é o sentimento que acompanha uma noção geral de perigo; ela nos adverte que há algo a ser temido. Ao mesmo tempo, a ansiedade alimenta o planejamento das atitudes, buscando saídas, alternativas e ensaiando ações para enfrentar ou fugir do perigo. Sua avaliação depende de como esse indivíduo entende sobre o que possivelmente representa o perigo. A boa ansiedade é proporcional às dificuldades, e promove esse enfrentamento saudável. A ansiedade é desproporcional à dificuldade e, até mesmo, improdutiva diante das dificuldades, inutilizando outros sentidos que possuímos em função de nossas defesas, criando uma interpretação catastrófica sem a devida certeza de fatos conscientes e concretos.

Teste sua ansiedade:
Responda V (verdadeiro) e F (falso)
1. Nos últimos seis meses, pelo menos, venho experimentando preocupações e ansiedades excessivas em diversas atividades (como atividade profissional ou doméstica).
2. Estou tendo dificuldade em controlar essa preocupação.
3. Essa preocupação é acompanhada de 3 ou mais dos sintomas abaixo:
• inquietação ou sensação de estar com “os nervos à flor da pele”.
• cansaço, fadiga.
• dificuldade em concentrar-se, sensações de “branco” na cabeça.
• irritabilidade maior que o habitual.
• tensão muscular (ombros, nuca, costas, braços, etc. )
• dificuldades com o sono (dificuldade em adormecer, ou manter o sono, ou sono “agitado”, ou insatisfatório)
4. A preocupação, a ansiedade ou os sintomas físicos estão causando sofrimento ou prejuízo em minha vida pessoal (social, profissional, etc.)

Avaliação do teste:
Se você respondeu Verdadeiro a maioria dessas afirmações, convém procurar um Psicoterapeuta. Esses sintomas definem o diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Generalizada, e esse transtorno pode ser causado por uma série de fatores, inclusive doenças orgânicas.




Michel Barabani
Psicanalista

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A SÍNDROME DO PÂNICO NA ABORDAGEM DE ALFRED ADLER

Mesmo com toda a medicação fornecida hoje em dia para tratar do transtorno mental conhecido como “síndrome do pânico”, faz-se mister uma profunda reflexão sobre dito transtorno, assim como alternativas ou apoio ao tratamento. Inegavelmente é terrível e extremamente doloroso o mal estar descrito pelos seus portadores, como por exemplo: limitação de sair as ruas, medo constante e generalizado, invasão de idéias destrutivas e suicidas, temor mais do que obsessivo perante a morte, dentre outras. O objetivo do presente estudo não é discutir a eficácia dos diversos tratamentos existentes, mas fazer uma análise desse mal dentro do enfoque da psicoterapia de ALFRED ADLER, criador dos conceitos de complexo de superioridade e inferioridade. ADLER enfatizava três áreas como sendo fundamentais para o pleno desenvolvimento e felicidade humana: amor, trabalho e relações sociais. Em nenhuma delas poderia prevalecer sentimentos de competição, desejo de superioridade ou complexo de inferioridade; caso isso ocorresse se obstaria o livre fluir das potencialidades humanas. A conseqüência seria um indivíduo propenso a compensar suas carências seja pelo desejo de manipular alguém, ou um medo constante de não se sentir aceito em seu meio. Resumindo, a personalidade se distanciaria de seu objetivo inicial, fazendo o que ADLER chamava de “arranjo psíquico”; uma troca de um objetivo pleno por outro inferior. Sendo assim, a dor e o sofrimento psicológico seriam suportáveis a fim de se adiarem os desafios pessoais do sujeito nas três áreas citadas. Freud numa outra abordagem já havia dito sobre o ganho secundário dos pacientes histéricos, através da chantagem emocional e atenção entre outros. Obviamente tal idéia é encarada com extrema resistência por muitos pacientes, dizendo ser absurda a idéia de preferir a doença a uma vida sadia emocionalmente. Uma análise mais apurada desmascara por completo tão irreal frase proferida, trazendo a tona todas as áreas comprometidas. É fundamental que qualquer método de tratamento ataque à raiz do problema, pois do contrário estaremos o eternizando. Isso vale, sobretudo para o aspecto farmacológico, pois a medicação por si só nunca resolverá qualquer conflito ou distúrbio psicológico. Isto é igual nos pacientes com alcoolismo que tratam sintomas de úlcera decorrente da bebida, mas não cortam o uso da mesma.
A síndrome do pânico não pode ser isolada do contexto social e familiar do paciente, tratando-a meramente como enfermidade químico-orgânica, mas, sobretudo deve ser encarada como uma barreira que o próprio paciente desenvolveu para bloquear mágoas maiores. Troca-se o inesperado de um sofrimento doloroso por doses homeopáticas diárias de desesperança e falta de estímulo. Alguém que vive a infelicidade se sente protegido de novas cargas emocionais negativas. ADLER enfatizava que um paciente acometido de fobia de sair as ruas tinha a intenção oculta de criar um reino fictício de controle e poder sobre seu universo restrito, adiando constantemente a prova final sobre sua capacidade de cooperar, conviver e se abrir perante o meio. As terapias cognitivas tratam as idéias de terror visando a mudança comportamental, porém muitas vezes as encaram como coisas estratificadas, quando na verdade precisamos descobrir todas as associações mórbidas do paciente. A invasão de idéias destrutivas faz parte da dualidade dos opostos em qualquer ser humano. Cabe a todos harmonizar o terror que habita em nosso inconsciente com a esperança pratica de mudança e satisfação no convívio social. Notem que quase todos os pesadelos têm como temática pessoas sendo mortas, caçadas, afogadas ou esfaqueadas. O consenso sobre tais idéias seria a total situação de desamparo que a pessoa sente em seu dia a dia. ADLER achava que tal sentimento era uma maneira de forçar mais atenção e cuidados sobre a pessoa acometida da doença, desejando ser “mimada” por seu meio. Por mimo, se entende não o ganho de qualquer coisa material, mas simplesmente chamar a atenção para si próprio o tempo todo. Haveria então uma fuga para um estágio infantilizado, onde os outros seriam forçados novamente a cuidar do paciente como na sua infância.
A quase totalidade dos pacientes acometida da síndrome do pânico relata ser obrigatória a presença de alguém no momento do ataque para os acudirem, ou aplacarem suas angústias.  Não podemos nos esquecer também dos aspectos sociais presentes na enfermidade. Nosso modelo econômico e social gera solidão e apatia, nos fornecendo o consolo do consumismo. O grande problema é que lutamos para pertencer a dito modelo. A síndrome do pânico espelha a mais terrível perda da capacidade de troca entre as pessoas em nossa era. O medo maior subjacente é que tal enfermidade nunca abandone a pessoa. Não é a toa que pacientes com síndrome do pânico relatam sonhos de terem sido condenados à prisão perpétua. Outros dizem respeito sobre estar caindo de um precipício ou prédio, refletindo o complexo de inferioridade da pessoa. Posto tudo isso, é fundamental elaborarmos uma nova base de tratamento de cunho psicológico e social; ao invés de uma globalização econômica, precisamos de uma que atue no autoconhecimento, ciência, prazer afetivo, sexual e cooperação humana.
BIBLIOGRAFIA: ALFRED ADLER : O CARÁTER NEURÓTICO: EDITORA PAIDÓS 1934

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

ALGUNS DOS OBJETIVOS DA PSICANÁLISE

APTIDÕES EMOCIONAIS
·         Identificar e rotular sentimentos
·         Expressar sentimentos
·         Avaliar a intensidade dos sentimentos
·         Lidar com sentimentos
·         Adiar a satisfação
·         Controlar impulsos
·         Reduzir tensão
·         Saber a diferença entre sentimentos e ações

SEGUIMENTOS

*      Fazer com que nossas qualidades negativas (defeitos) nos favoreçam e, aperfeiçoar as qualidades positivas para que possamos alcançar nossos objetivos.
*      Trabalhar a idéia de que todo indivíduo tem capacidades e qualidades suficientes para encontrar felicidade e realizações e se livrar de seus temores e dificuldades
*           Ensinando-nos a encontrar com nosso mundo interior sem medo...

RESULTADOS
·         mais responsável
·         mais assertivo
·         mais popular e aberto
·         mais pró-social e prestativo
·         mais compreensão dos outros
·         mais atencioso, interessado
·         mais harmonioso
·         mais "democrático"
·         melhores aptidões na solução de conflitos.

ALGUMAS DIRETRIZES DA PSICANÁLISE

  Autoconsciência: observar a si mesmo e saber exatamente o que está sentindo;
   Tomar decisões: examinar suas ações e avaliar as consequências delas;
Lidar com sentimentos: monitorar a "conversa consigo mesmo" para captar rapidamente mensagens negativas e ou positivas;
   Lidar com a tensão: aprender o valor de exercícios, emoção orientada, métodos de relaxamento;
Empatia: compreender os sentimentos e preocupações dos outros e adotar a perspectiva deles;
 Comunicação com o outro: falar efetivamente de sentimentos;
Auto-revelação: valorizar a franqueza e construir confiança num relaciona­mento;
   Intuição: identificar padrões em sua vida e reações emocionais; reconhecer padrões semelhantes nos outros;
 Auto-aceitação: aceitar-se tal como é e ver-se sob uma luz positiva; reconhecer suas forças e fraquezas; ser capaz de rir de si mesmo;
Responsabilidade pessoal: assumir responsabilidade; reconhecer as conse­quências de suas decisões e ações;
 Assertividade: declarar suas preocupações e sentimentos sem raiva nem passividade.
Dinâmica de grupo: cooperação; saber quando e como tomar a liderança e quando se submeter a uma liderança.
 Solução de conflitos: como lutar limpo com outras pessoas sem usar recursos irracionais de aspectos apelativos.